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Memórias do SEQTS 2025

Entre 22 e 25 de outubro de 2025, Brasília tornou-se o epicentro ibero-americano dos debates sobre subjetividade e temas contemporâneos. Reunindo representantes de 12 países e mais de 300 participantes, o V Simpósio Ibero-Americano de Epistemologia Qualitativa e Teoria da Subjetividade (SEQTS 2025) reafirmou a vitalidade da abordagem proposta por Fernando González Rey e marcou um momento histórico com o lançamento do Instituto Fernando González Rey, dedicado à continuidade e projeção internacional de sua obra.

Realizado entre os dias 22 e 25 de outubro de 2025, o V Simpósio Ibero-Americano de Epistemologia Qualitativa e Teoria da Subjetividade (SEQTS 2025https://seqts.com.br/2025) consolidou-se como um dos principais espaços de encontro e diálogo entre pesquisadores/as, profissionais e estudantes de pós-graduação e de graduação interessados/as nessa perspectiva no contexto Ibero-Americano. O evento, que teve como tema central “Debates e desafios sobre temas contemporâneos”, ocorreu no Centro Universitário de Brasília (CEUB), reunindo 303 participantes no simpósio principal e 29 no Colégio Doutoral, oriundos de todas as regiões do Brasil e de 12 países — Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, Estados Unidos, Guatemala, México, Panamá, Peru e Porto Rico.

O SEQTS 2025 reafirmou a vitalidade da Teoria da Subjetividade e da Epistemologia Qualitativa, propostas pelo psicólogo e pensador cubano Fernando González Rey(1949-2019), que vêm inspirando novas formas de compreender a complexidade dos processos humanos no âmbito da cultura (para conhecer o acervo do autor, ir a: www.fernandogonzalezrey.com).

Ao todo, 138 pessoas integraram as comissões de trabalho, entre docentes, discentes e colaboradores, contribuindo para a concretização de um evento de grande dimensão acadêmica e humana. Dezenas de estudantes de graduação e pós-graduação também compuseram a equipe de monitoria, fundamental para o desenvolvimento das atividades.

A programação contou com atividades pré-simpósio, com destaque para o Colégio Doutoral, ocorrido nos dias 2, 3 e 4 de outubro, que contou com a participação de 29 mestrandos/as e doutorandos/as de diferentes países, dez professores doutores como debatedores, em três dias de intenso trabalho virtual. Também, foram realizados seis cursos de curta duração como atividades presenciais de formação prévia, ampliando o diálogo entre os/as participantes.

O evento foi aberto com uma de suas sessões mais significativas: a Mesa de lançamento do Instituto Fernando González Rey, que reuniu sua diretoria e conselho fiscal em um momento histórico de celebração e projeção das novas etapas de desenvolvimento de ações de pesquisa, profissionais, comunitárias e culturais vinculadas à obra do autor.

Mesa de lançamento do Instituto Fernando González Rey. Da esquerda para a direita, José Fernando Patiño Torres, Luciana de Oliveira Campolina, Albertina Mitjáns Martínez, Daniel Magalhães Goulart, Maristela Rossato, Cistina Massot Madeira Coelho, Vannuzia Leal Peres e Valéria Deusdará Mori

A mesa de abertura do SEQTS 2025 reuniu representantes das cinco regiões do Brasil e convidados da América Central e do Sul, simbolizando a amplitude geográfica e teórica da rede que se consolida em torno da Teoria da Subjetividade.

Mesa de abertura do SEQTS 2025. Da esquerda para a direita: Luciana de Oliveira Campolina, Geandra Cláudia da Silva, José Moysés Alves, Paula López, Vannuzia Leal Peres, Francine Rocha, Gustavo Cantú e Luciana Soares Muniz

O evento também promoveu uma atividade científica de exibição e discussão de um vídeo inédito com trechos de ideias de Fernando González Rey sobre o tema da quinta edição do simpósio. O primeiro dia do evento teve suas atividades transmitidas ao vivo pelo canal de YouTube Fernando González Rey, alcançando centenas de visualizações e ampliando o acesso ao público ibero-americano interessado nesses debates.

Além disso, ao longo dos três dias seguintes, o evento contou com três mesas redondas temáticas em sessões plenárias que abordaram (1) A dimensão subjetiva do sofrimento na contemporaneidade, (2) A subjetividade e o sujeito em contextos de desigualdade e vulnerabilidade social e (3) Redes sociais e subjetividade (link para gravação). Nos 15 Grupos de Discussão Temática, realizados nos dias 23 e 24 de outubro, foram debatidos temas centrais a partir da apresentação de 150 trabalhos que evidenciaram a expansão e o aprofundamento da teoria em diferentes campos, como educação, saúde, desigualdade social, questões étnico-raciais, gênero, sexualidade, organizações, trabalho comunitário, bem como redes sociais e cultura digital.

A sessão de lançamento de livros destacou obras publicadas em 2024 e 2025 que aprofundam e desdobram o referencial da Epistemologia Qualitativa e da Teoria da Subjetividade.

Sessão de lançamento de livros do SEQTS 2025. Da esquerda para a direita: Maria Carmen Tacca, Serafim Lissa Koga, Karla Wunder da Silva, Maria Dolores dos Santos Vieira, Luciana Soares Muniz, Luciana Oliveira Lemes, Maristela Rossato, Hanna Patrícia da Silva Bezerra e Norma da Luz Ferrarini

Em paralelo às atividades acadêmicas, o simpósio manteve aberta a Sala do Instituto Fernando González Rey, com exposição do acervo do autor, informações sobre o recém-lançado Instituto e sobre suas primeiras iniciativas previstas para 2026.

Outro espaço que chamou atenção foi a Sala Cultural, que recebeu as exposições fotográficas “Interfaces entre ciência e ancestralidade do povo Pankararu”, de Geovan dos Santos (UFPR), e “Com as próprias mãos: histórias de mulheres catadoras”, de Luciana da Silva Oliveira Lemes (SEEDF) — ambas expressando a potência estética e política das relações entre subjetividade, cultura e arte.

Exposição fotográfica “Interfaces entre ciência e ancestralidade do povo Pankararu” com seu autor, Geovan dos Santos

Ao longo de sua trajetória, o Simpósio Ibero-Americano de Epistemologia Qualitativa e Teoria da Subjetividade tem se consolidado como um espaço singular de diálogo científico e formação de novas gerações de pesquisadores. Em sua quinta edição, sob o tema “Debates e desafios sobre temas contemporâneos”, o evento reafirmou essa vocação ao articular a Teoria da Subjetividade com problemáticas atuais — como sofrimento psíquico, desigualdades sociais, relações étnico-raciais, gênero, sexualidade e impactos das tecnologias digitais —, evidenciando que compreender a subjetividade é também reconhecer a produção de conhecimento como um ato criativo, ético e historicamente situado.

Após duas edições realizadas em formato remoto, em decorrência dos desdobramentos da pandemia de covid-19, o reencontro presencial em Brasília representou um marco simbólico e afetivo para a comunidade ibero-americana que vem se constituindo em torno da obra de González Rey. Esse retorno ao convívio presencial ampliou os espaços de interlocução, experimentação e criação coletiva, potencializando o caráter humano e relacional que inspira a própria Teoria da Subjetividade.

A realização desta quinta edição, portanto, configurou-se como um momento de convergência e diálogo entre trajetórias, teorias e afetos, reafirmando a importância de seguir construindo, a partir da obra de González Rey, novos caminhos para compreender a subjetividade e o sujeito em tempos de incerteza e mudança.

Participantes do SEQTS 2025 no último dia do evento

Para conhecer o restante das fotos do evento, acesse a galeria do SEQTS 2025.